COMUNA DE PARIS NO EXPRESSO
Memórias
da Comuna de Paris
Símbolo A estátua derrubada de Napoleão I durante o conflito
entre a III República e a Comuna de Paris. O nono a contar da direita, com uma
farta barba, é o pintor Gustave Courbet
HULTON
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Avançaram medidas como o ensino laico, universal e
gratuito, a igualdade salarial e o direito de voto e de participação política
das mulheres. Mas a vida da Comuna foi curta e atribulada
TEXTO LOURENÇO PEREIRA
COUTINHO DOUTORADO
EM HISTÓRIA INSTITUCIONAL E POLÍTICA CONTEMPORÂNEA E INVESTIGADOR INTEGRADO DO
CHAM — NOVA FCSH
Entre a utopia e o espanto, Paris foi há 150 anos o
epicentro de uma experiência política original, a Comuna. Durante pouco mais de
dois meses, de 18 de março a 28 de maio de 1871, a cidade viveu sob um modelo
“científico” materializado numa democracia direta fundada no socialismo e na
laicidade. Karl Marx considerou-a “a gloriosa precursora de uma nova
sociedade”. Já Bakukine identificou a Comuna como “a negação da ideia de
Estado”, o que para este teórico do anarquismo era um elogio. Já para o Governo
francês liderado por Thiers e também para as chancelarias europeias, os communards não passavam de rebeldes que deviam ser
exemplarmente punidos.
A Comuna de Paris enquadrou-se na longa tradição
revolucionária francesa, com raízes remotas nas jacqueries do
século XIV (revoltas dos camponeses durante a peste negra e a Guerra dos 100
Anos), nas frondas do século XVII
(revoltas populares e aristocráticas contra o Governo do então jovem Luís XIV)
e também na revolução iniciada em 1789. A experiência de 1871 foi influenciada
pela fase da Convenção, ou do “terror”, dominada pela ditadura jacobina de
Robespierre (1792-1794). Mas, enquanto a Convenção procurou um sistema de
representação direta que aspirou à absoluta igualdade política, a Comuna
aspirou sobretudo à absoluta igualdade social.
Também a Comuna não foi tão durável quanto a
Convenção. Enquanto esta conseguiu exportar o seu movimento radical para fora
de Paris, a Comuna sobreviveu cercada pelas tropas leais ao Governo de Adolphe
Thiers, que, prudentemente, assistiu aos acontecimentos desde Versalhes.
Isolada, acabou vítima das suas contradições e da aliança que a sustentava, uma
heterogénea conjugação de jacobinos centralistas, socialistas utópicos
seguidores de Proudhon e blanquistas adeptos de uma ditadura dirigista. Durante
os seus 72 dias de duração, os parisienses passaram por provações extremas,
causadas pelo cerco montado pelo exército regular, pela fome e pela violência.
Esta “experiência científica” terminou por fim a 28 de maio de 1871, depois da
luta encarniçada entre os communards entrincheirados
nas barricadas e o exército da República.
O que foi a Comuna, qual o percurso até à sua
afirmação e como se deu o seu fim? Esta é a crónica dos seus antecedentes e dos
72 dias que abalaram França.
UM NOVO NAPOLEÃO
Ao longo do século XIX, França conheceu uma
alternância vertiginosa de sistemas políticos. Ao Império napoleónico sucedeu a
restauração da dinastia de Bourbon, de pendor conservador (1815-1830), e a esta
a monarquia burguesa de Luís Filipe de Orleães, rei dos franceses de 1830 a
1848. A “primavera dos povos” começou justamente em França, com a queda da
monarquia de Luís Filipe de Orleães e a proclamação da II República (fevereiro
de 1848). Então, as classes trabalhadoras lutaram nas barricadas para deitar
abaixo a monarquia “burguesa” e voltaram a fazê-lo em junho, quando reclamaram
a instauração de uma democracia direta e social, acabando derrotadas pelas
tropas do general Cavaignac.
Depois, a II República francesa (1848-1852) instituiu um sistema presidencial, com o chefe de Estado a ser eleito por sufrágio universal, o que lhe conferia legitimidade reforçada, e o poder legislativo entregue a uma única câmara. O príncipe Luís Napoleão, sobrinho do Imperador Napoleão Bonaparte, afirmou-se então como a figural central do novo regime. Em dezembro de 1848, ganhou as eleições presidenciais com uma votação expressiva e, seguindo a tradição familiar, iniciou uma prática política personalista, que chocou com as prerrogativas da Assembleia Legislativa. A pouco tempo de concluir o seu mandato de quatro anos sem possibilidade de reeleição, o Presidente Luís Napoleão convocou um plebiscito sobre o regime, que implicava a escolha entre a manutenção da República ou a restauração do Império sob a dinastia napoleónica. Mais uma vez, obteve uma vitória robusta, que legitimou a proclamação do II Império francês. Em 1852, o Presidente Luís Napoleão converteu-se no Imperador Napoleão III (e “terceiro” porque os bonapartistas consideravam o filho de Napoleão I como Napoleão II, embora este nunca tivesse reinado).
Humilhação Em janeiro de 1871, o Império alemão foi proclamado na Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes, e o rei da Prússia, Guilherme I, tornou-se kaiser da Alemanha UNIVERSAL HISTORY ARCHIVE/GETTY IMAGES
O novo imperador era uma personalidade singular. Tal como o seu tio, tinha inclinações ditatoriais, mas era sensível à injusta condição dos trabalhadores urbanos. Também como o seu famoso familiar, Napoleão III destoava dos outros soberanos europeus. Foi revolucionário na sua juventude, lutando no norte de Itália contra o domínio austríaco, e era discípulo de Saint Simon, defensor de um modelo socialista autoritário. O II Império foi, pois, coerente com o percurso bonapartista. Legitimou-se por plebiscito e apoiou-se nas massas citadinas. Foi centralizador e autoritário, mas reconheceu o direito à greve e permitiu a formação de sindicatos. Prometeu a paz, mas não deixou de ser messiânico, exportando os seus valores para outros territórios europeus e, inclusive, projetando a sua influência para espaços longínquos, como México, Senegal ou Cochinchina.
Em pouco menos de 20 anos, o cesarismo democrático de
Napoleão III foi do esplendor à derrota. Impulsionada pelo crescimento
industrial, França experimentou uma notável expansão económica, reforçou a sua
condição de centro cultural da Europa e acolheu uma exposição universal. Em
Paris, o barão Haussmann desenhou uma nova cidade, um modelo racional com
semelhanças com a Lisboa pombalina projetada 100 anos antes. Haussmann mandou
deitar abaixo parte da velha Paris de traços ainda medievais e ergueu novos
quarteirões geométricos, que delimitaram as zonas residenciais da burguesia
daquelas onde se apinhavam sem condições os trabalhadores citadinos.
Caso se tivesse circunscrito à política interna,
Napoleão III poderia ter alcançado o que o seu tio não conseguiu: a
consolidação da dinastia Bonaparte. Mas o seu Império era incompatível com uma
política externa passiva. Entre 1856 e 1859, França aliou-se aos britânicos
para travar a Rússia na Crimeia e assim evitar a expansão do Império dos czares
para o Mediterrâneo Oriental. A partir de 1859, Napoleão III interveio
diretamente em Itália, ajudando o reino do Piemonte-Sardenha a expulsar os
austríacos da Lombardia, naquele que foi o primeiro passo da unificação
italiana (1861).
Durante a década de 1860, quase tudo o que de
relevante se passou na Europa contou com a intervenção direta ou indireta de
Napoleão III. O seu grande desafio, aquele que lhe seria fatal, acabou por
travar-se com a Prússia de Bismarck. Este Estado afirmava-se como a principal
potência militar do continente e ambicionava liderar a unificação alemã. Em
1866, o chanceler Bismarck derrotou a Áustria, afastando o Império dos
Habsburgo da preponderância política no espaço alemão e, em 1870, provocou a
guerra com França, de forma a neutralizar a influência de Napoleão III sobre os
estados da Alemanha do Sul (reino da Baviera, reino de Württemberg e
grão-ducado de Baden).
O bem equipado e disciplinado exército prussiano precisou
de apenas dois meses para derrotar os franceses (julho a setembro de 1870). A 2
de setembro, Napoleão III foi feito prisioneiro em Sedan e viu-se obrigado a
capitular. Perante o vazio de poder, constituiu-se um Governo de defesa nacional,
presidido pelo general Trochu, e a República foi proclamada em Lyon e Marselha.
Mas os prussianos mantiveram-se em território francês para impor as suas
condições unilaterais e cercaram a cidade de Paris. Em janeiro de 1871, o
Império alemão foi proclamado na Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes,
e o rei da Prússia, Guilherme I, tornou-se kaiser da
Alemanha. Como penalização de guerra, França foi obrigada a pagar uma pesada
indemnização e a entregar a Alsácia-Lorena. Foi um trauma que veio a ter sérias
repercussões na História da primeira metade do século XX.
A COMUNA DE PARIS
Em setembro de 1870, Paris foi cercada por um exército
de 300 mil prussianos. A situação tornou-se asfixiante. O Governo de defesa
nacional presidido pelo general Trochu tinha por única finalidade minimizar as
consequências da guerra e não passava de uma estrutura provisória incapaz de
preencher o vazio de poder. Neste contexto, os representantes da Guarda
Nacional e das zonas operárias de Paris pediram ao Governo a constituição de uma
Comuna. A autorização nunca chegou.
O pedido destes parisienses não era completamente
original. Durante a Idade Média, várias cidades italianas, alemãs e até
francesas viveram num sistema de autogoverno participado pelos seus habitantes.
Sobretudo em França, esta autonomia diluiu-se com a afirmação do Antigo Regime
e a entronização da dinastia de Bourbon (1610-1789), de prática genericamente
centralizadora. Ainda assim, as cidades e comunidades francesas mantiveram
alguns dos seus antigos privilégios até à Revolução Francesa. O Estado jacobino
e, depois, o I Império napoleónico, ambos estruturalmente centralizadores,
acabaram com os resquícios de autonomia e especificidades regionais e comunais.
No entanto, estas perduraram na memória coletiva dos franceses. A Comuna de
Paris de 1870 resultou assim da síntese da velha ideia de autonomia local com
as novas ideias de base socialista.
A semana sangrenta,
como ficaram conhecidos os combates em Paris entre 21 e 28 de maio, provocou
7000 mortos
A 28 de janeiro de 1871, o armistício entre França e
Prússia foi por fim assinado em Versalhes. O inverno estava a ser
particularmente rigoroso, e o cerco prussiano levou os parisienses ao
desespero. Sucederam-se revoltas de operários e artesãos, reprimidas com
dificuldade pelo Governo do general Trochu. A impossibilidade de circulação de
pessoas e mercadorias provocou doenças e uma implacável fome, que obrigou os
habitantes de Paris a comerem ratos para sobreviverem.
Apesar da continuidade das provações, o armistício
abriu portas ao regresso da normalidade política. A 8 de fevereiro, as eleições
para a Assembleia Nacional resultaram na vitória dos liberais e na nomeação de
Adolphe Thiers, antigo presidente do Conselho e ministro dos Negócios do Rei
Luís Filipe de Orleães, para liderar um Governo de coligação de monárquicos,
bonapartistas e republicanos. A eleição foi contestada pelos líderes da Guarda
Nacional e das organizações operárias de Paris, que não reconheceram o novo
Governo. Desde Versalhes, onde estava o Executivo e a Assembleia eleita, Thiers
decretou o fim da moratória das rendas, uma medida com impacto nos parisienses,
os mais castigados pelo cerco dos prussianos. De seguida, ordenou a dissolução
da Guarda Nacional, estrutura paramilitar formada por cidadãos, e o confisco
das suas armas. Dias depois, o exército regular liderado pelo general Lecomte
entrou em Paris e apoderou-se dos canhões da Guarda Nacional. O episódio foi
sangrento. Lecomte ordenou aos seus soldados que abrissem fogo sobre os resistentes.
Eles recusaram. O general foi então alvo da ira popular, aprisionado e depois
fuzilado.
Chegara-se ao ponto sem retorno da revolução,
simbolicamente semelhante à tomada da Bastilha em 1789. Em pouco tempo, a
Guarda Nacional e as milícias populares ergueram barricadas para defender a
cidade do exército regular. A 23 de março, Lyon proclamou a sua Comuna, a que
se seguiu Paris, cinco dias depois. Começava a insurreição das grandes cidades.
Então, a falência momentânea do Estado liberal
permitiu a afirmação dos projetos socialistas. Desde a década de 1860 que
França acolheu várias figuras da I Internacional, reunião que em 1864 juntou em
Londres os representantes dos sindicatos britânicos (trade unions), anarquistas, socialistas, marxistas e
proudhonistas. Estas figuras viriam a ter um papel essencial no movimento
comunal parisiense: Marx acompanhou de perto os acontecimentos; Blanqui,
defensor da insurreição geral e da instauração de uma ditadura socialista, foi
influente até ser novamente preso (março de 1871); e Bakukine, teórico russo do
anarquismo, esteve presente na proclamação da República em Lyon (setembro de
1870). Era uma conjugação improvável de pensamento socialista e anarquista, a
que ainda se juntou o velho jacobinismo centralista, herdeiro da Revolução
Francesa, e os discípulos de Proudhon, defensores de uma contraditória anarquia
estruturada, baseada num Estado minimalista e na autonomia das comunidades.
O choque irremediável entre teorias e práticas tão
distintas tornou o projeto comunal incoerente e inviável. Ainda assim, e
enquanto Paris suportava um cerco quase permanente, os líderes da Comuna
tiveram tempo para legislar medidas que, se executadas, teriam um impacto
político e social significativo: decretaram o ensino laico, universal e
gratuito; a justiça tornou-se também gratuita; estipularam a igualdade salarial
e o crédito para assalariados; reconheceram o direito de voto às mulheres e
autorizaram a sua participação nas decisões políticas da cidade. Contudo, a
curta e atribulada vida da Comuna não permitiu que a maioria destas medidas
saísse do papel.
Tal como a Assembleia Nacional dos jacobinos de 1793,
também o Conselho da Comuna decidiu assumir a exclusividade de interpretação da
vontade dos cidadãos. Dos 92 membros eleitos para o Conselho a 26 de março,
apenas 15 eram moderados. Os restantes eram jacobinos, liderados por Charles
Delescluze, blanquistas e proudhonianos. Também, e ao contrário do esperado, as
eleições não deram a maioria aos socialistas, mas sim aos jacobinos. Cientes da
inutilidade da sua voz, os moderados afastaram-se, e as ideias de ditadura
unitária dos blanquistas e de autonomia comunitária dos herdeiros de Proudhon
foram neutralizadas com eficácia pela maioria. Os jacobinos defendiam uma
autoridade única, o próprio Conselho da Comuna, intérprete da vontade geral e
base de um Estado centralizado. Era o regresso a um passado de intolerância,
relembrado pelas mortes na guilhotina, que afastou a Comuna da simpatia de
republicanos progressistas como Victor Hugo ou Clemenceau.
Até 28 de maio, a Comuna de Paris permaneceu isolada
por detrás da suas barricadas. As Comunas de Lyon e Marselha não passaram de
fogachos, e o Governo da República liderado por Thiers intensificou os
preparativos para recuperar a capital. Os communards contavam
apenas com a Guarda Nacional — que integrava muitos refugiados
internacionalistas, polacos, alemães, húngaros e italianos — e com o
voluntarismo revolucionário dos partisans, civis
armados que combateram nas barricadas. A Comuna ainda propôs o comando da
Guarda Nacional a Giuseppe Garibaldi, o condottiere revolucionário
que tinha conquistado o sul de Itália, mas o projeto não chegou a avançar.
No princípio de maio, Paris foi por fim cercada pelo
exército da República. O Conselho da Comuna, controlado pelos jacobinos,
respondeu então com o terror. Novamente inspirado pelos métodos de 1793,
instituiu um Comité de Saúde Pública com a missão de “zelar” pela revolução e
que proibiu publicações ou opiniões divergentes. A Comuna estava num beco sem
saída, mas recusava reconhecê-lo.
A SEMANA SANGRENTA
Para recuperar Paris, o Governo fez avançar um
exército de 130 mil homens comandados pelo marechal Mac-Mahon, futuro
Presidente da República. As forças da Comuna, compostas pela Guarda Nacional e
por partisans, não contariam com mais de 60 mil elementos, incluindo
mulheres e crianças, espalhados por cerca de 1000 barricadas. A 21 de maio, o
exército entrou em Paris e avançou para as barricadas defendidas pelos communards. Foi o início de um banho de sangue. O
exército fuzilou os combatentes capturados e, em resposta, a Comuna mandou
fuzilar três prisioneiros por cada communard abatido.
Perante a rápida tomada de posições pelo exército,
os communards decidiram pegar fogo a locais
emblemáticos, como o Palácio das Tulherias, um símbolo napoleónico, e ao Palácio
d’Orsay, antecessor do museu do mesmo nome. Sob o mote “Paris será nossa ou de
ninguém”, o fogo ateado pelos communards fez
arder cerca de um terço da cidade. Não foi mais do que desespero. A 28 de maio,
a Comuna capitulou. A semana sangrenta, como ficaram conhecidos os combates em
Paris entre 21 e 28 de maio, provocou 7000 mortos, dos quais 1700 por
fuzilamento. O exército viria a fazer ainda mais prisioneiros, que depois foram
julgados e deportados para a colónia francesa da Nova Caledónia.
A experiência da Comuna marcou o fim do socialismo
dito “utópico”, teorizado entre outros por Proudhon e que rejeitava a luta de
classes e a ditadura do Estado centralizado. Pelo contrário, a Comuna abriu
caminho para a definitiva afirmação do marxismo como principal referência do
movimento operário. A III República (1870-1940), o regime mais durável desde a
queda da monarquia absoluta, confirmou algumas das decisões da Comuna, como o
ensino primário universal, a permissão das organizações sindicais e do direito
de reunião. A Comuna influenciou também várias revoluções posteriores, como a
dos sovietes russos (outubro de 1917), ou a luta dos voluntários que combateram
do lado republicano durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939).
Apesar do seu fracasso, a Comuna continuou a despertar
curiosidade e opiniões contraditórias. Para os apologistas da democracia
direta, foi um momento inspirador; para todos os outros, não passou de uma
perigosa utopia. Para a História ficou o mito e a imagem icónica de civis a
combater o Estado por detrás de barricadas de areia.
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